26 de novembro de 2007

O Rio das Flores (de papel)

O novo livro do Miguel Sousa Tavares preenche, desde a semana passada, e depois do Lobo Antunes (O Meu Nome é Legião) o lugar na minha cabeceira (cortesia do Ouriço que mo emprestou). Comecei a ler e avancei rapidamente, página atrás de página... Convenhamos que para quem está habituada a Lobo Antunes, Tavares é brincadeirinha: faz sentido e tem muitas descrições de tudo e mais alguma coisa (desde a tourada, com alguns erros que os aficionados depressa detectam, à história do café no Brasil, das fazendas, etc...).
Deve dar trabalho escrever uma prosa assim, recheada de detalhes, tudo para contar a vida de um homem que até se podia escrever num parágrafo longo, não fosse o gosto pelo pormenor histórico tomar conta do enredo!
Já tinha lido o Equador que achei "honesto" (assim nem carne, nem peixe, mas simpático). Não vou acabar de ler o Rio das Flores, pois tem um mar de letras em que quase me afogo. O narrador fala, fala, fala e não me diz assim nada de muito especial. Reconheço a mestria em escrever tantas páginas, com tanta investigação, reconheço que há uma voz, pois ambos os romances têm a marca do seu autor, porém, sinceramente, essa voz é muito enfadonha e repetitiva.
Depois da viagem a São Tomé e um pouco da Índia, vem agora o Brasil. Imagino que o próximo romance terá Macau como cenário, tendo em conta que preenche os requisitos mínimos que o MST necessita: ser longe, exótico e já ter sido português!
PS Para todos os que gostaram deste livro: não me levem a mal, afinal eu gosto de Lobo Antunes!

4 comentários:

Mak, o Mau disse...

Antes fazer como eu e ler um continho do Dostoyevsky que fala dos russos e das suas relações/viagens na Europa. Sempre é mais pequenito e nas primeiras páginas já me parece ter mais interesse que a obra toda do Sousa Tavares...

Mas isso sou eu, q sou do contra...

Ouriço disse...

É.
Complica as descrições. Dá vontade de ir reler os Maias...

Kinder disse...

Ao contrário do que apregoa, a história do próximo livro de MST vai ser num local longínquo, exótico e que já foi português: a Damaia.

SA disse...

ele mdevia ir escrever para a "volta ao mundo".. isso sim lol