12 de julho de 2007

Placards de Autoestrada

Quarta-feira, 13h 05, 37 graus, A6, entre Vendas Novas e Montemor (sentido Lisboa -Elvas) surge algo no placard electrónico (Momento raro e de beleza transcendente pois nunca há nada a relatar nestas estrada, exceptuando um "Nevoeiro, conduza com precaução" que ninguém consegue ler pois não se vê sequer o nariz). Diz então este placard: "Atenção. Animal a 12km, conduza com cuidado". Começo a pensar: será que o animal está morto? (Se sabem com tanto detalhe que está a 12kms é porque está imóvel.) Que animal será? Uma girafa fugida do Badoca, em busca de uma amiga espanhola? Um Tigre enfastiado que saltou as grades? Uma vaca ou um porco de uma Herdade? (Ainda o ano passado se "perderam" uns porcos biológicos no sentido oposto) Ou simplesmente um porcalhão que cuspiu pela janela e levou com um mosquito pelos olhos dentro e se despistou? Fiquei curiosa, confesso que acelerei, cuidadosamente, para avançar rapidamente 12 kms.
Frustração, passo a área de serviço de Évora e nada. Fico desiludida, mas aliviada. Conheço três pessoas diferentes que se cruzaram com 3 vacas diferentes nesta autoestrada. Duas delas (uma pessoa e uma vaca) tiveram um acidente grave (hospital para a pessoa, abate para a vaca).
Será que a margem sul é mesmo o deserto? Quando os placards apenas trabalham para avisar da presença de animais, dá que pensar... Mas não, no deserto não há vacas!
Depois, para me entreter, estive a meditar em slogans para dar uso aos placards que não têm nada para dizer. O melhor que me ocorreu foi:
"Cuidado, perigo de aparição a 15 kms! Conduza com o Credo na Boca" (A1, perto da saída de Fátima)
Podem acrescentar mais!

10 de julho de 2007

Tom Waits and Bono recite Bukowski

9 de julho de 2007

Encosta-te a Mim

Montes de Amigos encostados ao Palma, um tema novo que apetece ouvir

8 de julho de 2007

SIZWE BANZI EST MORT

Encenação de Peter Brook, inserida no Festival de Almada. O Espaço Vazio de Brook está mais repleto do que nunca. Saí retemperada, com o ânimo novo e esqueci, por um par de horas, que os meus tempos de lazer giram, na maior parte das vezes, em redor de programas para menores de 12 anos. Agora quero ir ao Maria Matos ver o que os escritores eleitos deste ano têm de urgente para me dizer.

7 de julho de 2007

Uma excelente motivo para se ser pobre:

Ao morrer os pobres têm menos a perder!

6 de julho de 2007

Não obrigada, já dei!

Não há volta a dar. Por onde quer que ande há alguém que quer qualquer coisa. À saída do supermercado querem que eu contribua para ajudar as crianças ou famílias, com deficiências, ou sem casa, ou sem comida, ou com doenças graves. No parque de estacionamento, surge um homem engravatado, sabe-se lá de onde (qual deserto marroquino em que atrás de cada duna há um vendedor de alguma coisa) e tenta vender-me uns jogos didácticos para as minhas crianças. Digo-lhe que não tenho filhos e fico a pensar que a mentira é má, pois o banco de trás do carro em que estou sentada desmente por completo a afirmação! Saio finalmente do estacionamento e tropeço numa senhora com um filho ranhoso ao colo que quer que lhe compre pensos, ou o Borda de Água. Arranco sem abrir a janela! Nova paragem, nova investida: Desta vez é a revista Cais. Como fazer as pessoas compreender que já comprámos esse número? Depois são os bombeiros, os amigos dos animais, os escoteiros, os da abraço, os do cancro, os da fibromialgia, os do coração, os da esclerose, os do alzheimer, os do apoio à vítima, os com lúpus, os..... Chego a casa e vejo o correio: Amnistia Internacional, AMI, cartões de Natal pintados com os pés e a boca e mais 23 ONGs que precisam da minha ajuda já... Abro finalmente a porta de casa, entro no meu mundo suburbano, atiro com tudo o que carrego para o chão e vou directa à prateleira do escritório. Pego nervosa no livro e encontro o trecho que procuro:

No primeiro semáforo já não tenho trocos. No segundo já não tenho casaco. No terceiro não tenho sapatos. No quinto estou todo nu. No sexto já dei o Volkswagen. No sétimo aguardo que a luz passe a encarnado para assaltar por meu turno, de mistura com uma multidão de bombeiros, de estudantes, de drogados e de microcefálicos o primeiro automóvel que aparece. Em média mudo cinco vezes de vestimenta e de carro até chegar ao meu destino, e quando chego, ao volante de um camião TIR, a dançar numas calças enormes, os meus amigos queixam-se de eu não ser pontual. (1)

Respiro fundo e penso que alguém já falou nisto melhor do que eu. Logo o homem que muita gente acusa de ser imperceptível! Depois penso que hoje, dia 6 de Julho de 2007, faz 100 anos que nasceu Frieda Kahlo que transformou a adversidade, a doença e a depressão em arte...

(1) António Lobo Antunes, Livro de Crónicas, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1998, p. 22

4 de julho de 2007

Outra Forma de ser Independente

Pensamento do dia:
Ainda bem que não nasci na América!

3 de julho de 2007

Hoje

Foi mais um daqueles dias em que não se passou nada, a não ser o dia. (Reticências. Pausa. Silêncio). Ainda estou a ressacar do festival do Noddy, é o que é!

27 de junho de 2007

Christo, o SLB e o CCB

Hoje quero fazer circular um boato que corre sérios riscos de se concretizar, seguindo o aforisma de que não há fumo sem fogo. Constou-me que o Berardo pediu ao Christo e à Jeanne-Claude para taparem Portugal continental com um lençol onde se pode ler:
"VENDE-SE" (para mais informações contactar SLB ou Arquipélago da Madeira)
Depois do SLB (rebaptizado para Sport Lisboa e Berardo), do CCB ( rebaptizado para Centro Comercial Berardo) o GI Joe volta a atacar e vai comprar o continente. Parece que as novas obras de arte, representantes do expressionismo decadente contemporâneo, são os funcionários públicos e os portadores de cartões de sócio de clubes de futebol da primeira liga. (A malta sócia do Estoril Praia pode esquecer o estatuto de obra viva, ok?)

25 de junho de 2007

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

70's; 80's; 90's


Lisboa: 96.6
Porto: 89.5
Santarém: 97.7
Coimbra: 103.0

(Thanks Turtle!)

What if?

What if...?

19 de junho de 2007

Será que é só impressão minha?

O Festival Super Bock Surf Fest realiza-se em Sagres!? E que tal encontrarem um sítio com um nome que não seja de imediato associado ao da concorrência? É só uma sugestão...

18 de junho de 2007

Subtextos...

Diz a Ela: Então já sabes onde vamos passar o fim de semana? (subtexto: é bom que saibas, pois eu gostava de ser surpreendida com aquela ida ao Spa que mencionei cerca de 300 vezes, nas últimas conversas)
Diz Ele: Tu é que decides, o que quiseres! (subtexto: Achas que sou parvo, não? Da última vez tentei escolher e estiveste sempre a criticar tudo e mais alguma coisa. Não, é muita responsabilidade, escolhe tu)
Diz Ela: Então se calhar é melhor nem sairmos já que pareces não estar com vontade (Subtexto: Pelos vistos a conversa toda do Spa caiu em saco roto!)
Diz Ele: Mas o que é que foi agora?! (Subtexto: Mas que m..., o que é que foi agora?!)

16 de junho de 2007

Yo si, quiero ser española!

Los portugueses han elegido el dictador Oliveira Salazar como la figura más ilustre de siempre en Portugal. Nosotros, los españoles, eligimos a su majestad el Rey Júan Carlos I... No tengo más palavras esto es motivo suficiente para cambiar en definitivo de nacionalidad, ahora mismo!

12 de junho de 2007

Checking in

Parece que o novo aeroporto afinal pode ir parar a Alcochete. Quero expressar a minha concordância uma vez que, em termos linguísticos, esta parece ser a melhor opção. Passo a apresentar o estudo detalhado que fiz na mesa do café e que está secundado com documentos, que tenho em meu poder, de peritos que tomaram comigo a bica:
Duty + Free - port = Duty Free
Aero - Free + port + o = Aeroporto
A solução esteve sempre à frente dos olhos só que estávamos cegos pela Otarização!

10 de junho de 2007

Dois Dias, Dois Filmes, Muitos Adjectivos

De vez em quando, há um buraco negro na física quântica da gestão do agregado que me permite entrar num portal em que posso sair à noite, sem me transformar em abóbora. Fui ao cinema! Na 6a e no sábado!
Na sexta fui ver o insípido Jogos de Infidelidade - não me ocorrem mais adjectivos para descrever algo banal.
No Sábado à noite fui ver o Inland Empire, ao único sítio onde ainda estava em exibição. O que dizer? Fui ver um Lynch, devia chegar... Mas não, tenho de encontrar mais adjectivos para a experiência de 180 minutos sentada a ver os sonhos e os pesadelos recorrentes do Lynch.
Arrebatador será um bom adjectivo! Arrebatador e nauseante! Os símbolos, ou fantasmas, estão lá todos - da cortina de veludo encarnada, às pernas de pau, às figuras perdidas que prostituem a vida, ao filme dentro do filme, à vida dentro da vida, como matrioskas (neste caso, romenas). Só que desta vez não gostei (eufemismo para detestei, odiei, abominei). Não pelo "contempt" a que Lynch vota o espectador - também ele personagem ignorada e ridicularizada ao longo da viagem alucinante - mas pela banalidade inconsequente em que o exercício da imagem se transforma. Nem a Laura Dern (co-produtora) salva com a sua majestosa e irrepreensível interpretação de Alice no País das Misérias; nem o Jeremy Irons com o seu papel secundário chega para justificar este objecto abjecto! Na sala estavam nove pessoas, quatro desistiram! Não deixa de ser uma experiência arrebatadora, pois podemos ficar empolgados ante o asco que uma experiência destas nos oferece.

5 de junho de 2007

Almoços e Jantares a sós

Já repararam como as pessoas que estão sós nos restaurantes parecem sempre imensamente ocupadas? Ou é o jornal, ou o livro, ou a revista, ou o Q-tec... Artefactos que trazem colado o subtexto: Eu estou ecupadíssimo(a) . Parece que temos de nos entreter para não convivermos connosco sem acessórios, nem adereços... Quando temos companhia é uma festa, conversa, gargalhada, tópicos inesgotáveis, vontade de nos atropelarmos uns aos outros. O silêncio incomoda pois desperta a consciência para o olhar dos anónimos sobre nós e, inconscientemente, faz-nos reflectir nas nossas imperfeições. Não nos devíamos incomodar tanto com a nossa presença face aos outros. Sabem que mais? Vou almoçar sozinha e vou olhar para toda a gente. Os outros estão demasiado ocupados consigo e com as suas palavras para repararem no meu silêncio e eu adoro observar as vidas anónimas. É como ir ao teatro, sem pagar bilhete, e posso fazer zapping à vontade do olhar e do que os ouvidos alcançam.

2 de junho de 2007

Jailhouse Prayer!

Paris Hilton vai levar a Bíblia para a prisão. O que é que eu tenho a ver com isso? Nada!
O que é que quero dizer acerca disso? Nada! O que eu quero é ver o "sítiometro" a subir...

1 de junho de 2007

Post Fofo!