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9 de fevereiro de 2017

24 ANOS A CAMINHO!

Faz hoje 24 anos que comecei a trabalhar na Universidade de Évora! No início ia de carro e tinha um quarto alugado, o chamado quarto da criada, ao lado da cozinha, gelado e inóspito, em Invernos ainda sem Alqueva, nem aquecimento global! Ao fim de uns meses, decidi alugar um quarto na pensão Giraldo, que partilhava com colegas de Lisboa, dependendo dos dias que tínhamos em comum! Depois da pensão e do quarto ao lado da cozinha, já dormi em celas de seminários, em hotéis, hostels e guesthouses!

Quando comecei a trabalhar os meus pais tiveram de me avançar dinheiro para fazer face a estas despesas, antes do primeiro ordenado; Quando comecei a trabalhar só havia auto-estrada até Setúbal; A6, só bem mais tarde: trocava boleias com colegas: rendez-vous às 5:30 na cidade universitária, rumo a Évora e às aulas de inglês específico das 8:30, no tempo em que os cursos de engenharia agrícola e zootecnia tinham 80 alunos! Tinha um carro sem ar condicionado, com 4 velocidades, a gasolina (um belíssimo Opel Corsa Swing, preto) e algumas funcionárias mandavam-me sair das salas e esperar pelo professor cá fora! Tinha 22 anos e o cartão jovem, a confusão delas era absolutamente justificada!
Em 24 anos dei aulas de inglês a quase todos os cursos da universidade: informática, engenharia civil, zootecnia e agrícola, arquitectura paisagista, ensino básico, turismo, sociologia, gestão, economia, matemática, química, turismo, relações internacionais, geologia e biologia, engenharia de materiais, enfermagem e cursos nocturnos em Évora, Castelo de Vide e em Borba (a terminarem à meia-noite, mas já com A6 para regressar). Dei e dou aulas de literatura, tradução e cultura, aquelas em que me especializei e as que me fazem investigar sempre e ser mais feliz; Fui orientadora de estágios em Évora, Portalegre, Beja, Estremoz, Almodóvar, Vila Viçosa, Vendas Novas, Sines, Santo André, Arraiolos, Elvas, Alcácer do Sal e Montemor! Fui parada em múltiplas operações auto-stop e, por duas vezes, fui multada! Troquei 5 vezes de carro, tive acidentes e avarias e cheguei a fazer 100000 kms num ano! Em dias de mais de 35 graus, cheguei a parar debaixo de chaparros para dormir sestas, antes de regressar a casa! Nos núcleos de estágio perto do mar, a partir de Março, levava sempre a toalha de praia e fato de banho, para aproveitar melhor os tempos mortos; nas escolas perto da fronteira, ao fim do dia, ia a Badajoz às compras! Só ao fim de dois anos a fazer Lisboa-Évora-Lisboa é que tive telemóvel: o normal era ligar para casa, caso fosse preciso, do telefone fixo!
Há 24 anos entrei recém-licenciada na Universidade de Évora, como assistente estagiária, e, nestes anos todos, casei, fiz mestrado em Lisboa, tive filhas, fiz doutoramento, mudei 3 vezes de casa (cheguei a fazer durante 5 anos Azeitão - Évora, na companhia veloz de uma colega e querida amiga) fiz amigos, perdi amigos e a única constante (para além da família e dos amigos) foi o trabalho no mesmo ponto do Alentejo que, até à entrevista de emprego, em Janeiro de 1993, apenas conhecia de uma visita de estudo de liceu! Tudo porque num cocktail da Nova para alunos Erasmus, no tempo em que a reitoria era no Príncipe Real, onde é hoje a Embaixada, um
Professor me falou num concurso de recrutamento de pessoal, na Universidade de Évora, ao qual devia concorrer! A primeira pessoa com quem me cruzei, no dia da entrevista, tem hoje uma filha de quem sou madrinha!
Comecei a dar aulas na Casa Cordovil que, no cúmulo do avant-garde, tinha wc mistos para os colegas; Entretanto, passei para o Colégio do Espírito Santo, mas já dei aulas em todos os edifícios: na referida Casa Cordovil, no Colégio do Espírito Santo, no Palácio da Inquisição (hoje museu), no colégio Luís Verney (antigo quartel), no Pedro da Fonseca, no Palácio do Conde Vimioso, na Escola de Enfermagem e na Mitra, todos menos na escola de Artes (uma falha imperdoável, para quem lecciona literatura e artes). Há 4 anos, no advento da crise, tentando reduzir as despesas em simultâneo com a pegada ecológica, troquei o carro a gasóleo por um autocarro da Rodoviária e depois pelo comboio! Comprei uma vespa para agilizar a minha vida de casa às estações rodoviária e ferroviária e deixei definitivamente de dormir em Évora! Hoje fui abençoada com um belo duche matinal dos céus para celebrar a efeméride!
Ao fim de 24 anos, ainda me deslumbro, ainda me sinto turista a subir a Rua Serpa Pinto, ainda me espanto em certos becos, ainda fotografo Évora, nos kms a pé que separam as estações da universidade... Se preferia ter esta profissão mais perto? Talvez, claro, mas este quase quarto de século faz parte de mim e foi determinante para chegar a este momento, ao dia de
hoje, no autocarro, a caminho de Évora!
Sinto-me grata a todos os que, ao longo destes anos, se cruzaram comigo: São muitos, mais de metade desta lista de amigos, nesta rede social, por isso não me atrevo a identificar-vos! Apenas quero agradecer a todos, pois todos me trouxeram aqui, hoje, ao 1o dia do semestre par de 2016/2017, 24 anos depois!
(Sim, eu sei que o post é longo, mas bolas são 24 anos, não 24 horas, e tenho de me entreter nas viagens de autocarro)

Post originalmente escrito e publicado no FB, dia 07/02/2017
Foto de Carla Ferreira de Castro.

11 de dezembro de 2016

O Porto é uma cidade num país estrangeiro!




Isto, trocado por miúdos, é o mesmo que dizer que o Porto é uma nação!
Há umas largas semanas atrás, quando a hora ainda não tinha mudado, quebrei um jejum de 6 anos, não imposto, nem desejado, mas fruto das circunstâncias e dos caminhos por que a vida nos leva, e voltei ao Porto!
Foi a primeira vez que aterrei no aeroporto Francisco Sá Carneiro (a ironia de darem ao aeroporto o nome de um político que morreu, num desastre de avião, a caminho do Porto, ultrapassa-me, confesso) e apesar de não ter voado TAP - para grande pena minha que gosto do produto nacional, com os melhores comandantes e assistentes do universo (sim, sou suspeita, conheço alguns a quem tenho a honra de chamar amigos) - o voo Low Cost Ryanair (9.99€ cada viagem, mais low que o comboio, ou o carro) permitiu-me chegar ao Porto no sábado, às 8:30, e sair do Porto no domingo às 21:40! Passo a semana em autocarros, comboios, carros e vespa, por isso foi um alívio poder chegar num meio de transporte seguro e rápido e poder passar 37 horas no “estrangeiro”, perdendo apenas 2 horas em transportes.
A ideia deste regresso ao Porto surgiu em Julho, na sequência de um voucher de uma noite, oferecido pelas nossas filhas. Ao ver as ofertas no catálogo, houve uma que me chamou a atenção: a da Yours Guesthouse, mesmo ao pé dos Clérigos. Já tinha visto umas fotos, sigo-os no instagram, e tudo me dizia que seria a melhor opção. Apesar de já não aceitarem os ditos vouchers, os donos, pessoas afáveis, civilizadas e muito atenciosas sendo simultaneamente cool, o que é uma harmonia que muito prezo, já que muito afeto e cortesia também podem ser demasiado constrangedores para Mouros pouco habituados à hospitalidade nortenha, aceitaram a reserva e cederam-nos um dos seus estupendos 8 quartos, com terraço privado e vista maravilhosa.

Eis-nos, pois, chegados ao Porto, dia 29 de Outubro, com andantes a estrear, a caminho da Guesthouse. E que maravilha chegar e ser tudo como nas fotos e ainda mais, fruto de um Verão de São Martinho precoce que nos deu temperaturas de 27 graus, a condizer com um céu azul luminoso.
A primeira paragem na rota de fim de semana era a visita aos Miró. Tanto me queixei nas redes sociais que não podiam ir a leilão, tanto assinei petições, que era o mínimo a fazer; E com ou sem Miró, Serralves é sempre uma visita obrigatória, pela colecção, pelas exposições, mas também pelo oxigénio que se respira nos jardins.
E aqui abro novo parênteses para fazer promoção a outra empresa, não nacional, lamento, cujo marketing me permitiu viajar com muito conforto, num veículo de gama e cilindrada superior, conduzido impecavelmente pelo Sr. José. Graças ao código promocional de um amigo, a Cabify ofereceu-me 8€ na viagem o que me permitiu ir de motorista dos Aliados a Serralves a custo zero! (Se quiserem ter 8€, em Lisboa ou no Porto, instalem a app Cabify e coloquem o código CARLAC519 que usufruem desta quantia e oferecem-me, em simultâneo, 8€ de volta!).
10 da manhã… Bilheteira de Serralves para comprar bilhetes para a exposição, 11€ por pessoa, a não ser que tenham conta e cartão do BPI. Claro que tenho cartão do BPI e, às 10:10, dou comigo a pensar que esta visita ao Porto está a sair baratíssima. Depois da soberba visita à exposição, sobre a qual já tanto se escreveu com propriedade que apenas posso subscrever, depois de levantar o casaco deixado no guarda-roupa que funciona na capela, passeei nos maravilhosos jardins e trouxe de lembrança um ataque de alergias épico, mas a culpa é toda do Outono e da mudança da hora que me desordenam os chakras, ou o bioritmo ou “o raio que o parta que nunca mais chega o Verão!”, não do Jardim, nem da cidade!
O regresso foi a pé pois no Porto quase tudo está a 600 metros, mesmo que seja a 600 mts vezes 3 ou 4 vezes: No sábado andei 18,4 kms a pé e ainda bem que o fiz, pois pude digerir a sandes de pernil com queijo da serra da Casa Guedes (eu tenho uma filha que não come carne, por isso foi um momento de compensação) e, acima de tudo, pude perceber o quanto o Porto mudou; Mudou para o bem, com esplanadas, com limpeza, com preservação do património histórico e saudável convivência deste com a modernidade, mas também mudou para o menos bom, para quem lá vive, sem viver do turismo, pois tornou-se um destino muito apelativo para estrangeiros, com tuk-tuks e alguma gritaria e turbulência, decorrentes desse forte apelo turístico. Eu também estava de estrangeira, por isso achei tudo fantástico, até poder observar a pitoresca fila à porta da Lello, que vende mais bilhetes de entrada do que livros!
O fim de tarde de sábado estava reservado para assistir ao showcase do Samuel Úria na Fnac de Santa Catarina, grátis, of course, e até já começa a parecer mal! Não era especialmente fã do Samuel Úria mas depois de ouvir, ao vivo, a apresentação demorada (cantou bem mais do que a meia dezena de temas, habituais nestas promoções em Fnac) do Carga de Ombros, fiquei convertida e só posso recomendar que ouçam também!


A Título de balancete: à hora do jantar ainda só tinha gasto uns Euros numas águas, num éclair e café na Leitaria do Paço e na dita sandes de pernil, mais o cartão andante pelo que, à noite, seguindo a sugestão de uma amiga nativa, fui jantar ao Flow, na Cedofeita: Comida boa, não especialmente iluminada de transcendência celeste para as papilas gustativas, mas num espaço de excepção e com empregados afáveis. Sempre que vou ao Porto acho que as pessoas em geral e as que nos atendem, em particular, são mais normais, menos atacadas pelo vírus “ai eu sou chefe de sala/empregado num restaurante com pinta por isso posso ter um ar arrogante de quem é dono disto”. Em Lisboa só costumo encontrar este tipo de simpatia e cortesia sem preconceitos, na esfera de restaurantes com pinta, nos espaços do Avillez.A noite de sábado estava reservada para a Foz. De novo a pé, com passagem pelo Bom Sucesso e com a alegria de constatar que o Porto continua a ser uma cidade segura para deambular e que mantém um equilíbrio harmonioso entre o passado e o presente.
 
O Domingo foi consagrado à margem Sul, a uma visita demorada às caves Taylor’s e a uma incursão relâmpago nas Caves Ferreirinha. Sou adepta fervorosa dos tintos do Douro, talvez com a mesma intensidade que um adepto do Porto ama o seu clube, pelo que poderia passar vários dias a visitar e a conhecer a história de cada família. Escolhi a Taylor’s pois a história desta família Inglesa é fascinante, mas fiquei com pena de não ter tido tempo para conhecer igualmente as caves da Symington. Imbatível a prova de portos acompanhados de trufas e frutos secos, com vista deslumbrante para o Porto!
A tarde chegou depressa com um encontro com um amigo que não abraçava há mais de uma década e com uma ida à Casa da Música ouvir uma experiência a cargo dos Dias da Música Electroacústica, a convite do Professor de Análise e Composição Musical da filha que nunca provaria uma sandes de pernil, e com a participação da pianista Ana Telles, que por coincidência, é minha colega em Évora.
Depois da experiência inovadora e refrescante de estarmos numa bola de sons e imagens um novo carro da Cabify levou-me de regresso ao aeroporto, inteiramente grátis, uma vez mais, por causa dos códigos promocionais.
Como desabafo último deixo-vos uma confissão junto ao Douro:
Se eu tivesse nascido tripeira não saía da beira deste rio, deste vinho, deste Porto! Quero ser adoptada! Quero ser amiga do Rui Moreira! Quero ter primos, tios e sobrinhos no Porto! Quero ser do Boavista! Quero beber finos e cimbalinos!
Dear Porto, I’ll be back!

30 de novembro de 2016

Bionic Fashion: I am Titanium...



Recentemente foi-me diagnosticada uma calcificação nos ossos mais pequenos do corpo humano, situados nos ouvidos, designados por estribos, dado a semelhança com os acessórios para montar. Aparentemente, o estribo é um osso móvel que existe em cada ouvido para transportar as vibrações e os meus, por questões hereditárias, ao que me foi explicado, estão a ficar imóveis, pelo que já não permitem que ouça frequências mais baixas, como o bebé dos meus vizinhos de cima que, quando chora, é ouvido por todos, menos por mim (o que, convenhamos, não é necessariamente mau). Aprendi que a idade, e algumas doenças que, infelizmente, não escolhem idade, nos vão trazendo várias provações que nos levam a ter de reajustar as rotinas e as expectativas. Tenho como guia que apenas a falta de memória nos rouba a identidade, tudo resto é um puzzle em que, enquanto é permitido e aconselhado, se vão substituindo as peças, mas que estes sucedâneos artificiais não nos roubam o ser, nem nos definem! No caso da audição, a médio prazo, terei de comprar duas próteses ou substituir os meus estribos por uns de plástico (imprimidos, seguramente, numa qualquer impressora 3D) ou de titânio, opção que considero mais apetecível para poder ouvir a canção Bulletproof, da La Roux, e achar que foi criada a pensar em mim! (I am titanium…)
Como qualquer cidadão informado que se preze vim para casa googlar, não a otosclerose que me atribuíram, algo sobre um ossículo minúsculo e maçador, mas as próteses de plástico e titânio existentes no mercado e percebi que os estribos com melhor performance são os alemães (Deutsche Technologie para os ouvidos). Depois fiquei a pensar que seria melhor ser mulher biónica com alguma classe, que é algo que a idade precisa para distrair e disfarçar as imperfeições, e lembrei-me que o que queria mesmo era ter uns estribos em titânio da Hermès: sempre seria massa atómica made in France, por especialistas em moda equestre! E que bom seria se as próteses de pés pudessem ser desenhadas com a ajuda do Manolo Blahnik, ou do Christian Laboutin, que houvesse próteses Prada (em termos de marking a aliteração resultaria muito bem), implantes Michael Kors, Louis Vuitton, Armani, Burberry, Chanel, Marc Jacobs, Harry Winston, Tiffany ou Bulgary...
Por último, referir a suprema ironia da otosclerose (eufemismo para surdez) me forçar a aproximar mais de algo que toda a minha vida adulta me interessou e até estudo: O silêncio!

9 de agosto de 2010

Silly Season

Como recomeçar ao fim de quase um ano? Já nem sabia da password, nem me lembrava da conta de e-mail...
Escrevo pois a medo, com alguma vergonha de voltar, até porque cada vez mais acredito que nada merece muito ser dito...And Yet...But Still...à boa maneira de Beckett digo ainda!
A silly season mexe comigo... Passo quase 9 meses à espera dela (não da silly, mais da season, do bom tempo, sobretudo este ano em que o inverno foi especialmente duro para quem vive de humores atmosféricos). A silly season é, por definição, sinónimo de férias, chinelos, roupa inaceitável, (mas que se tolera porque está calor e estamos na praia) enterros famosos,incêndios, futebol e festivais de Verão e já me habituei a ficar totalmente hipnotizada com o tempo de antena que é dado aos presidentes de juntas de freguesia, aos comandantes dos bombeiros e à população em geral... Mas, este ano, a silly season apanhou-me de surpresa ao ouvir sotaque da Guarda em prime time, sem ser no Jornal da TVi, mas num programa da RTP1, apresentado por uma ex-modelo que nem na TV de Lepe teria lugar, de tão má que é, mas que pelos vistos foi escolhida por duas razões: a)ser ex-modelo; b)saber dizer adeus em língua estrangeira!Sempre vi o Project Runway com a Heidi Klum e apenas posso declarar que o nossa versão não é Project Runway antes Project Runaway!

30 de abril de 2009

CEDÊNCIA DE POSIÇÃO

Cede-se posição na lista de espera em 3 farmácias para 3 doses individuais de Tamiflu.
Para mais informações sobre preço, por favor contactar este blogue.

PS: Também temos máscaras para o rosto com motivos incas e pequenos porquinhos desenhados.

25 de abril de 2009

Ter um Hitler por cima da lareira...

Esta semana foram leiloados em Inglaterra e na Alemanha aguarelas cuja autoria está atribuída a Hitler. Em Inglaterra 13 aguarelas renderam 110 mil Euros, na Alemanha, mais precisamente em Nuremberga, duas aguarelas renderam 32 mil Euros. A base de licitação começava nos 3500 Euros mas, em alguns casos, chegaram aos 18 000 Euros.
O que é que as pessoas que compraram dizem: Tenho um Hitler em casa? E onde o penduram? Na sala, no Wc, ou no Bunker? Teriam de ser telas absolutamente excepcionais para que a arte ultrapassasse o desprezo e a beleza suplantasse o horror de se ter um Hitler em casa! Mas não são! Tratam-se de paisagens insípidas, pueris e inocentes datadas de 1914. Quando a 1º Guerra Mundial começava, Hitler pintava granjas, rosas e paisagens... Aparentemente as suásticas só vieram mais tarde, no seu período "mass-murderista"!

27 de janeiro de 2009

Pontualidade e Bruno Aleixo

Sou pontual. Encontros, trabalho, marcações de cabeleireiros, manicura, cirurgiões cardiovasculares, médico de família, aeroportos e afins, estou lá, à hora combinada, nem um minuto a mais, nem um a menos. Sei que isto em Portugal é considerado por muitos um defeito, uma obsessão paranóica, mas ganhei a boa prática de pedir desculpa por chegar a horas e escudar-me na maldita educação britânica que não tive, mas que acalma as pessoas que, de imediato, me passam a olhar com mais ternura e comiseração (tradução: menos ódio e desprezo).
Porém, ser pontual em encontros não quer dizer nada. No tocante a estar na vanguarda da informação fico para trás; Por exemplo, tudo o que diz respeito à televisão geralmente chego tarde. Só ontem soube que essa pérola da informação que é a Judite de Sousa entrevistou o Cristiano e eu não soube. Também só na semana passada descobri, por acaso, o programa do Bruno Aleixo. Claro que como boa obsessiva que sou já sei quase tudo o que há para saber e não resisto a partilhar convosco um único conselho, para aqueles ainda mais distraídos do que eu: Vejam que é uma coisa do além!
Entretanto, se alguém tiver gravado o Cristiano, a Cuga gostava muito de ver pois o Cristiano tem o seu valor e a gente temos de dar valor a quem tem o seu valor!

19 de janeiro de 2009

Daqui a umas horas...

Daqui a umas horas, across the Ocean, o mundo vai mudar porque o Obama vai chegar.
E os sinais da mudança já começaram a acontecer nos EUA:
- Em vez de terroristas, o inimigo são agora os bandos de gansos!
- Em consequência do terrorismo dos pássaros, um avião amarea e ninguém se aleija!
Imaginem depois de dia 20 o que virá...
Até Portugal parece ter algo a dizer, na versão canídea da coisa... Não deixa de ser curioso os portugueses comprarem pastores alemães, huskies, bulldogs, e estrangeirices de 4 patas afins e o futuro presidente considerar a hipótese de um cão português por não largar pelo e assim deixar longe as alergias. (Os portugueses sempre foram muito dados a não causarem alergias, é verdade!)
Confesso que estou expectante: God Save OBAMA! (and the Portuguese Poodle!)

14 de janeiro de 2009

17 de novembro de 2008

Platão, Obama e o Poeta

Na República de Platão explicam-se os motivos que levaram o poeta a ser expulso da cidade: na sua singularidade, o poeta imitador era nefasto para o avanço político, tornara-se um empecilho ao pragmatismo e às condicionantes do estado. Lembro-me disto a propósito de Barak Obama que tem poemas publicados e que ontem, na sua primeira entrevista televisiva após ter sido eleito, reitera a sua vontade de fechar Guantanamo e retirar as tropas do Iraque. Será que este poeta político contemporâneo se vai safar? Ainda a propósito de Obama leio um texto de Mia Couto, que finda a emoção emergente do post-vitória, equaciona a dimensão que teria a eleição de um presidente branco, num país africano de maioria negra. Dá que pensar...
Será que a mudança para os Estados Unidos vem aí? Que afinal é possível governar com razão e emoção? Será que é possível ser-se presidente com alma de poeta?
Por cá precisamos de uma oposição, não importa a raça, o género, a orientação sexual, política e religiosa... estamos mesmo dispostos a tudo, desde que saibam fazer oposição!

27 de outubro de 2008

VOX POPULI


Travessa de Santa Catarina, Lisboa

24 de setembro de 2008

Monólogo de Uma Tia de Pechisbeque

(…) Então foi assim… Nós vivíamos numa casa enorme que era da tia avó Rosarinho, no Restelo, mas depois o Manuel teve um convite para ir para Abu Dhabi e nós fomos, iludidos com a perspectiva exótica, o ordenado milionário e o colégio Americano para o Manel, o Zé Pedro e a Babá. O que é facto é que não se passa nada em Abu Dhabi e vai daí tivemos de voltar, sob ameaças de morte e tudo. Para nossa surpresa, no espaço de 5 meses o Restelo tornou-se irreconhecível, uma onda de assaltos, uma coisa inacreditável. Eu e o Manuel tivemos de tomar medidas drásticas. Ele vendeu o Q7 e comprou um Dacia e eu, com medo da criadagem, decidi chamar as Molly Maid para não dar a chave da nossa nova casa na EPUL do Restelo. (Temos uma varanda amorosa e mandámos instalar segurança e assim naquele sítio não damos nas vistas).
Claro que este país continua incrível, tanta pobreza...
Os miúdos, bem os miúdos tiveram de ficar em lista de espera para o St Julian – só filhos de patos bravos é o que é – e por isso estão aqui na escola que apesar de ser perto de casa é um horror. Como se isto tudo não bastasse, apanhei um susto no semáforo da BP perto de casa e decidi que não guio mais. Vou a pé ou de transportes para não dar nas vistas. O meu único vício são as malas mas, inacreditavelmente, estou faz séculos à espera do novo modelo do Marc Jabobs (a Stam) e nada. Parece que também há lista, por isso, por este andar ainda desisto. Aliás, esta H&M que trago é a minha forma de protestar contra a tirania das listas de espera. Por falar em espera, isto de estar aqui no médico de família, no posto é uma estafa…
Tamos mesmo em maré de azar, logo agora o pediatra dos miúdos (sabe aquele super-famoso que aparece nas revistas e escreveu toneladas de livros) está em Londres a dar um seminário. Uma maçada é o que isto tudo é!

27 de julho de 2008

As Festas!

Na 5a feira fui ver A Festa ao Maria Matos. Um tema interessante, numa peça simpática, com bons actores. Claro que as festas e a amizade, não têm de ser necessariamente assim, intensas e sofridas, mas por vezes a vida imita a ficção, outras não!
Na 6a, para complementar o tema da peça, fui a uma festa com algumas estrelas menos conhecidas do rock and roll nacional. Uma noite longa que começou com chuviscos num terraço e acabou com o dia a nascer. Em época balnear também é refrescante conhecer pessoas que vivem de noite, que não gostam assim tanto do sol, mas que fazem justiça ao ditado "Don't judge a book by its cover!"

17 de julho de 2008

As Bibliotecas Municipais

Tenho uma intolerência crónica por instituições, entidades, etc, que prestam um mau serviço ao contribuinte. É frequente enfurecer-me e reclamar. Tenho a certeza que algumas lojas pediram as gravações da vigilância só para poderem imprimir a minha cara e enviá-la com um beware para as suas filiais... Este prefácio para dizer que sou esquisita e deixo isso bem claro, desde o primeiro momento.
Agora imaginem que, no meu país, no concelho onde vivo há 3 bibliotecas públicas que prestam um serviço aos meus olhos (críticos e picuínhas) absolutamente imaculado. Entro, não tenho de deixar mochilas, ou sacos, posso levar o portátil e tenho ligação à internet (ou então posso usar os computadores da Biblioteca) posso levar livros e cadernos de casa só para estudar e, no final, ainda posso requisitar 5 livros para ler, DVDs para ver e Cds para ouvir... uma maravilha...
Desconfiada, ao fim de um par de vezes com tudo a funcionar a 100%, passo ao nível seguinte e dirijo-me ao catálogo online para reservar um livro não disponível, com o meu nº BI e cartão de leitor. Achei que seria difícil... Isto na passada 6a feira à tarde...
Há pouco, recebo um telefonema amável e educado que me informa que o livro que tinha reservado já se encontra à minha espera. Fico muda, mas ainda consigo articular um obrigada comovido.
Será que há coisas que ainda funcionam? E que é possível o entendimento entre o homem, o computador e os telefones? Actualmente, quando quero um livro de ficção portuguesa, já não vou à Fnac, vou à Biblioteca que é perto de casa e longe de centros comerciais, é grátis e, no final da leitura, não ocupa espaço e pó (Sim, pois ao contrário do aforisma, o saber ocupa lugar, nas estantes da casa).

12 de junho de 2008

OPORTUNIDADE: Só o Próprio!

Vende-se bidão de 25 litros cheio de gásoleo, marca conhecida. Preço: 60€ (inclui deslocação, num raio de 10 Kms na zona da Grande Lisboa)

24 de abril de 2008

Cheers!


© http://powerfullbrands.blogspot.com

8 de abril de 2008

LONG LIVE THE LOW COST!

Antigamente ir a Barcelona, Berlim, Londres, Paris, Copenhaga, Madrid, Veneza, Milão, Bruxelas, Amesterdão, Genebra, Budapeste, Varsóvia, Praga, Dublin, Munique, Estocolmo, Atenas, Roma ou Helsínquia, era uma aventura (muitas vezes digna de inter-rail). Hoje é mais fácil e mais barato que ir até à capital do móvel (Paços de Ferreira). Já não vamos a Londres por nada de especial, apenas para ver uma exposição, ou uma peça de teatro; Vamos a determinada cidade só para passear e escapar da rotina, sem nenhum programa definido. As low cost mudaram a nossa forma de viajar, retiraram-nos o remorso de ter de aproveitar a ocasião de uma vida, devolveram-nos o prazer de apreciar, ou não, o que uma cidade tem para oferecer, simplesmente por termos como dado adquirido a certeza que podemos sempre voltar. Daqui 2 semanas irei de novo a Dublin: não gosto especialmente da cidade, não tem nada de fascinante, para além da eterna veneração de ser a terra do Beckett e do Joyce (mas até eles sairam assim que lhes foi possível) mas ao menos falam inglês, paga-se em Euros e tenho previsto um encontro com um amigo. É bom fugir à rotina e eu só consigo escapar à minha vida "on the road" se for de avião!

26 de março de 2008

A Loggia!


É sabido que os agentes imobiliários, à semelhança dos turísticos e dos vendedores de automóveis, vivem num mundo de eufemismos para vender um produto menos bom, mas que com a palavra certa chama a atenção...

Quando uma casa é mínima chamam-lhe acolhedora, ou então 'cosy', que o estrangeirismo fica sempre bem, sobretudo se o interessado não fizer a mínima ideia do que estão a dizer.

Quando uma casa é velha, a cair de podre, numa zona mais ou menos aceitável dizem: "casa com muito cachet a precisar de algumas remodelações"

Se a casa teve um 'houselift' (eu também sou fã dos estrangeirismos) feito no Ikea com meia dúzia de Euros colocam "remodelação total recente".

Ultimamente, graças à Remax (que vende duas casas por minuto...), aprendi um estrangeirismo novo: Loggia. De repente, estando numa busca não muito persistente por outra habitação, deparei-me por várias vezes com esta palavra... Lembrava-me de a associar à Arte e numa breve Googlelização percebi a razão: Eis a imagem de uma loggia:
Porém, no dicionário imobiliário da Remax, uma loggia é... Uma Marquise!
Por isso quero apenas partilhar convosco o meu pensamento do dia:
Para além de Polícia à porta, a Travessa do Possolo já tem Loggia!

27 de fevereiro de 2008

Quem me dera ser doutora médica...

Ontem, face à evidência que uma das crianças não estava melhor, depois de vários dias de febre, lá me decidi a levá-la ao posto. Claro que às 16h30, já não havia ninguém disponível para ver a criança e aconselham-me uma ida ao Hospital.
Visito pouco os hospitais, graças à saúde de ferro que todos temos aqui em casa, e ao pânico que tenho do contágio.
Chego então à Urgência pediátrica do Francisco Xavier, onde estão 3 crianças e um total de dez adultos, todos acompanhantes das 3 crianças. Sinto-me em inferioridade numérica e antevejo um fim de tarde difícil, pois o pior de tudo não são as crianças, são os adultos impacientes que as acompanham.
Demoro 35 minutos até ser chamada para a sala de triagem porque a urgência é como a Caixa Geral de Depósitos ou o Pingo Doce: Só quando estão quase a fechar a loja é que se começam a despachar e chamar os médicos todos, como pude constatar a partir das 20h30.
Da triagem volto para a sala de espera com uma criança que já não reage a nada, felizmente para ela, pois neste momento já há 7 crianças na sala e vinte e cinco adultos que teimam que as crianças que estão a vomitar para baldes de papel socializem com as que estão com tosse e com os desgraçados que só se magoaram no braço e que agora vão sair dali com mais alguns brindes!
Finalmente o médico - giro, como são todos os do Francisco Xavier, deve ser por isso que é um hospital Modelo - acha estranho a criança já não responder a nada, sobretudo estando sem febre. "SEM FEBRE?!!!" pergunto eu incrédula que estou quente do calor que ela emana... "Sim, aqui diz 36,2". O QUÊ???? Lá volto para a triagem, exigindo uma contraprova, qual brigada anti-doping, ao contrário. Sim, foi engano, a criança tem efectivamente 38,9 e é melhor dar-lhe um remédio. Depois decidem-se por uma análise.
Como eu sei que quem faz análises tem de esperar, pelo menos 1 hora, e a sala de espera estava pior que o cenário do Sweeney Todd (só que em vez de sangue tinha vómitos e muita gente - na maioria com mais de 15 anos), peguei na criança e saí de mansinho. Fui até ao McDrive do Restelo determinada a contrariar o seu jejum quaresmal e a comprar todas as porcarias que lhe apetecessem. Comeu pouco mas ganhou um jogo do Astérix que não jogou, mas que lhe deu a alegria da posse de um brinquedo de um sítio pouco frequentado.
Regresso ao Hospital, 1 hora depois, e entro directa para saber das análises. Nem vou descrever, neste ponto, as urgências, penso para comigo que uma arma ali teria feito milagres, pois mandaria mais de metade das pessoas daquela sala para a urgência mais acima, nem era preciso aleijar muito, só de raspão...
Uma hora mais à espera e decido que já chega. Entro e vou à procura do médico giro. Encontro-o, ele vê as análises e diz-me que o melhor é levar a criança para casa e esperar mais dois dias... (to be continued)

16 de fevereiro de 2008

País a La Carte

- Era uma independência para amanhã de manhã, se faz favor!
- E para que horas, é que vai querer a independência, Sr Hashim Thaçi?
- Pode ser de manhã, que o povo gosta mais das coisas pela fresquinha.
- Então fica marcado: Amanhã, de manhã, independência do Kosovo.