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8 de março de 2012

Quando crescer não vou fazer nada!

Há dias em que queria escrever um livro que não falasse de literatura, para o qual não tivesse de estudar tantos outros livros para desenvolver uma opinião fundamentada, convocando diferentes perspectivas. Mas a profissão de investigador não se compadece desses devaneios. Querendo falar dos temas latos que me são queridos -  silêncio, memória e identidade –  nunca o posso fazer sem invocar posicionamentos alheios que consubstanciam a  “minha” abordagem. Minha entre aspas, pois nada é verdadeiramente meu, no sentido de descoberta. Uso o pronome/demonstrativo possessivo (dependendo da frase em que se integra), apenas enquanto detentora de uma informação que até então não tinha partilhado…
Falamos de um livro, filme, até de um local geográfico, quase sempre tentando recordar as similitudes com outros livros, outros filmes, outros locais… Na investigação fazemos o mesmo: Aproximamos ou distanciamos temáticas, autores, para tornar perceptível um ponto de vista – que é nosso mas que corresponde à súmula de tantos debates, como numa equação complicada em que o resultado é sempre infinito. Em dias mais incertos, embarco em devaneios onde concluo que devia ter dedicado a vida de investigadora à Matemática; Há qualquer coisa na palavra ciências exactas que hoje me fascina, mais do que em adolescente. A ideia de pensar uma equação abstracta até a tornar real e plausível é muito poética, aos meus olhos de toldados por anos a porfiar com a língua, a literatura e a cultura.
Os dias que atravesso estão recheados de aulas para preparar, de alunos para cativar, de matéria nova para eles e não tão nova para mim, mas ainda assim sempre capaz de uma nova surpresa. Hoje acredito que uma pessoa podia viver só com a obra completa de um grande autor, de preferência canónico, e ser capaz de a estudar pela sua vida fora, encontrando novas perplexidades e desafios a cada (re)leitura. O poder das grandes obras é esse: os textos de Shakespeare, Pessoa, Tolstoi, Beckett, Joyce, Whitman, Eliot e tantos outros, permanecem intactos quase imutáveis (nem sempre, mas este não será o momento de iniciar uma deambulação sobre os folios de Shakespeare, ou da organização do baú de Pessoa) enquanto os estudiosos, de acordo com a perspectiva sincrónica ou diacrónica, vão prestando atenção às teorias enunciadas na estética da recepção e a tantos outros postulados imprescindíveis ao estudo da literatura e vão escrevendo milhões de palavras acerca de um único texto. Fernando Pessoa, a dado momento da sua vida, afirmou que estava cansado das palavras dos outros e que, daí em diante, só iria ler as suas. Puro egotismo? Talvez, mas tinha razões de sobra para assim proceder: Afinal, com tantos heterónimos nunca se sentiria só, nem preso ao mesmo sujeito poético!
Leio no Guardian que o Jonathan Franzen (romancista americano) se insurgiu contra o twitter, depois de já ter igualmente condenado, em ocasiões anteriores, os ebooks e o facebook. Discordo desta visão! Acho que a literatura pode descobrir uma postura inovadora se usar a tecnologia para lançar novos desafios. Resumir uma grande obra (livro, quadro, escultura) num tweet é um estímulo tão inovador e motivante quanto resolver um teorema complicado. Quase tão divertido como ver no YouTube a versão do Rowan Atkinson e do Hugh Laurie das emendas ao mais conhecido solilóquio do Hamlet! É demasiado simples ou provocatório? Não, é um exercício de economia de palavras, num tempo em que já não temos palavras interditas e que a verborreia tende a afogar a maior parte dos pensamentos e dos silêncios. 
Quando me perguntam o que faço, gostava de ousar dizer que penso e que isso, segundo a matriz cartesiana, deveria chegar para viver. Nunca chega! É sempre necessário acrescentar actividades com desempenhos relevantes pois o pensamento, só por si, fica desacompanhado, desguarnecido de substância e facilmente se confunde com a preguiça de não querer fazer nada! Já nada somos, em termos de investigação, se não tivermos a identidade de um ISBN, o reconhecimento de um referee ou outros trabalhos pertinentes na nossa área de especialização.
Há dias que também eu queria ser uma guardadora de ovelhas, mas falta-me a heteronímia, o engenho ou, à falta de ambos, a bipolaridade, ou a esquizofrenia!

18 de novembro de 2011

Nota a propósito do vídeo sobre a suposta ignorância de recém-chegados à universidade


Desconfio que houve claramente manipulação e vindo da revista Sábado, cujos temas e seriedade têm vindo a decair, não me espanta! A reportagem light é fruto do jornalismo que têm optado por praticar, num país onde assistir aos erros alheios (seja na casa dos segredos, ou no Youtube) é mais importante do que saber a resposta correcta.
Há quantos lados e quantos miúdos quisermos, mas a nossa geração e a dos pais deles é que está em causa! Nem tudo se aprende na escola. Aliás, a maior parte das coisas realmente fascinantes não se aprende numa sala de aula, com professores desesperados e mais de duas dezenas de alunos ensonados e prontos para o disparate, pois ficaram acordados a ver coisas impróprias para a sua idade e maturidade.As minhas filhas antes de irem à Disney foram ver a Mona Lisa. Se um dia disserem um disparate destes têm mais culpa que miúdos de 18 anos que cresceram sem livros, rodeados de novelas e de porcarias para adormecerem a curiosidade e não chatearem os pais ao fim de um dia difícil de trabalho.Declararem numa reportagem que os universitários são ignorantes é uma condenação a toda uma geração de educadores. E os grandes e primeiros educadores têm de ser os "encarregados de educação". Ou acham que é só um nome que se dá a quem assina os testes?
O país está em crise, estão a revogar direitos que levaram décadas a serem instituídos? O que é que isso importa face às alarvidades que um bando de desocupados dizem, numa casa fabricada de imagens e disparates?
O ópio do povo é o entorpecimento das imagens e das palavras esvaziadas de conteúdo! Quem tem dinheiro e cartões dourados são os futebolistas, os miúdos das novelas e das bandas pimba (que têm muita bola para jogar, muito texto para decorar e que também não têm tempo para a cultura) e os ladrões de colarinho branco... Espanta-me que a suposta ignorância de universitários (todos eles apenas o são há 3 meses) se sobreponha ao estado da nação, ao facto de termos ex-políticos a serem ouvidos por suspeita de participação em crimes de fraude, de homicídio... Espanta-me que a suposta ignorância de universitários se sobreponha ao facto de estarmos a perder qualidade de vida à velocidade que obesos mórbidos perdem peso, para o povo ver, numa quinta no meio do nada! O melhor mesmo seria alugar o país inteiro a um canal de televisão e fazer um "big reality show" patrocinado por uma farmacêutica de anti-depressivos: "Como é que este povo que descobriu novos mundos, andou à tareia com os vizinhos peninsulares, com os mouros e com os irmãos, se tornou tão adormecido?"

2 de setembro de 2011

Let the winds of folly blow!

Setembro começa com chuva... Agosto terminou com chuva... Os dias que se avizinham prometem chuva... Achava que a passividade recente dos portugueses (sim, pois há menos de 100 anos andávamos metidos em lutas fratricidas por tudo e mais alguma coisa) estava directamente relacionada com o clima... Bom tempo, falsa crença numa economia estável, bom feitio dos cidadãos... Entretanto, foi-se a economia afável, até o bom tempo se está a dissipar e o bom feitio cá continua... Os gregos têm bom tempo e mau feitio por isso, aparentemente, não há relação entre o clima e o optimismo, quando toca a troikas e crises... Somos um exemplo paradigmático de capacidade de aceitação de provações, elogiado além fronteiras e para lá do atlântico. O PM nada teme em relação a motins e até escolhe a zona não concessionada da praia da Manta Rota para instalar o chapéu de sol (o seu e o dos seguranças que pouco fazem, pois o povo é complacente com os seus semelhantes). Até quando? Estamos a viver o espírito dos navegadores, enfrentando corajosamente todas as tormentas, mas o Inverno vai chegar e não sei se as tormentas se converterão em boa esperança a curto trecho! Pelo sim pelo não é melhor ir começando a limpar as armas, enquanto há tempo, a sorrir enquanto há vontade e a ir à praia enquanto há sol!

17 de fevereiro de 2011

O bilhete da liberdade na saúde e na doença

Hoje é tudo mais limpo e mais distanciado… Os hospitais têm parques de estacionamento de superfície e subterrâneos, já não há nervos para encontrar lugar cá fora, deixar o carro semi‑pendurado numa árvore, ter de ir de táxi ou de autocarro, aumentando a angústia do momento da consulta externa, ou da visita… Hoje chegamos e partimos como quem paga um bilhete de estacionamento que se guarda em sítio seguro, pois é o garante que vamos por pouco tempo…Hoje os hospitais são centros comerciais de doença, públicos ou privados e patrocinados por bancos que ditam a cor das instalações.
Quem vai por mais tempo tem de fazer os preparativos inerentes à viagem pela doença - Faz a mala, deixa o carro e pede uma boleia ou chama um táxi e, em casos mais difíceis, deixa a casa limpa e os papéis em ordem… Dizia-me a minha avó materna que sabemos sempre quando saímos de casa mas nunca sabemos quando vamos regressar! Dizia-o numa tentativa de estimular que deixássemos a casa arrumada para não “parecer mal” se tivéssemos de entrar com visitas inesperadas mas, num sentido mais profundo, tinha muita razão, a avó Isabel, e muitas vezes me lembro das suas palavras!
Ultimamente, por força da vida e das doenças, tenho visitado hospitais, clínicas, centros de saúde e instituições médicas em geral… Desde o final de Dezembro tenho tomado contacto com inúmeras realidades: O Hospital-hotel; o Hospital-público; o centro de saúde do bairro; a clínica de radiologia… Tenho ido nas diversas qualidades: visita, doente, acompanhante. Porém, o único denominador comum é que posso sempre levar o carro, posso sempre sair passado algum tempo e essa liberdade da saída marca a fronteira entre a saúde e a doença…
Ter alta é uma coisa maravilhosa, poder passar os portões de um hospital e deixá-lo para trás, ainda que seja por umas horas ou um dia, é sempre um momento de libertação! Quando fui mãe o momento que mais me comoveu não foi o dia do nascimento das minhas filhas, foi o dia em que mas deixaram levar para casa… Lembro-me de subir muitas escadas chorando em silêncio, de alegria. Os hospitais, independentemente de terem melhores ou piores condições são espaços de limite, de grande dor, mas também de grande alegria: a dor da perda, do desengano, do desconsolo de ter chegado ao fim das soluções e a cura não aparecer, a alegria de ter enganado a doença, de ter adormecido o mal, de ter vencido a morte, ou de ter uma nova vida nas mãos!
Passo os portões à entrada nos hospitais e sinto que vou de encontro a edifícios cheios de desilusão e esperança e cada vez que o faço esforço-me por não pensar muito nisso, para não ser piegas, porque a saúde e a doença necessitam de optimismo e sentido de humor para não serem tão pesadas!
Às vezes penso que muito do heroísmo dos médicos advém da conquista diária de deixarem o hospital e recuperarem a liberdade. Nestes últimos dias tenho respirado fundo, num prazer egoísta, antes de passar os portões à saída, depois da hora da visita,  e nesses instantes o bilhete do parque transforma-se num passaporte para um mundo cheio de oportunidades!

25 de janeiro de 2011

Faz de Conta

O corte no ordenado... Já sabia há muito que ia ser menor, que ia ser um bocado grande mais pequeno (perdoem-me a contradição). Sempre que se trata de dinheiro, provavelmente por resquícios de uma infância em que a Matemática sempre fez sentido quando convertida em dados concretos - tens 10 chocolates e 3 amigos, o que fazes? - tenho tendência a converter o dinheiro no se poderia ter feito ou, neste caso, o que não vou fazer. Só quem não tem muito dinheiro consegue concretizar tão bem... Por isso é que os meus sonhos utópicos (porque não jogo) de ganhar o Euromilhões ficam sempre inacabados.., para o primeiro prémio. Será sempre mais fácil ganhar o 2º ou o 3º, ou mesmo o 4º prémio pois muito dinheiro acarreta responsabilidades pessoais e sociais maiores. Com muito dinheiro já não se ajuda somente a família e os amigos, existe a obrigação de ir mais longe e deve dar um trabalho dos diabos escolher uma causa boa, justa, livre e limpa!

Voltando ao ordenado: É menor, é como uma multa de excesso de velocidade que nos deixa a pensar: se eu tivesse passado mais devagar estaria agora 120 euros mais rica e até podia ter comprado aquele papel de parede extravagante com que ia forrar o WC! O problema é que, desta vez, recebo um corte salarial não por ter passado em excesso de velocidade, mas porque há muito que o país anda em excesso de despesa e optou pela via rápida de reduzir punindo os alvos mais a jeito: o belo funcionário público que no fim da conversa ainda remata: "ainda vamos tendo emprego é o que conta!" Pois para mim não conta!

Passei os últimos 18 anos a leccionar e a investigar, a apresentar as provas que me foram sendo solicitadas. Nunca subi na carreira docente por ter anos de serviço, mas por provas dadas. Aliás, ao contrário da maior parte dos funcionários públicos, eu e tantos outros como eu, continuamos sem ter o cargo assegurado - ainda este ano será, mais uma vez, reavaliada a minha relevância, após apreciação de um relatório de nomeação que talvez me vincule, não ao estado, à universidade onde trabalho há 18 anos, com excesso de horas lectivas, de alunos e de outros encargos burocráticos e com a pressão de ter de investigar e publicar pois tudo conta!

O corte no meu ordenado é dizerem-me "vá directamente para a prisão, sem passar pela casa partida!"

O corte no meu ordenado é uma forma de me dizerem que os 6 anos que investi no doutoramento me deram apenas 1 título, que agora se consegue em metade do tempo! Não tenho grandes hipóteses de progredir uma vez que as vagas são cada vez menores, pois o império das cotas impede a criação de novos concursos...

Fui uma aluna Erasmus, fiz uma licenciatura, um mestrado e um doutoramento pré-Bolonha e tudo isso me trouxe aos dias de hoje... ao corte orçamental que sofri. O que é que eu penso hoje, quando vejo o meu salário e o converto não em chocolates, mas em portagens, gasóleo e contas de casa de um agregado de 4 pessoas (dois adultos e duas crianças, em idade escolar)?

- Faz de conta que não fiz o doutoramento e que ainda sou assistente!

- Faz de conta que não tenho 156 alunos, múltiplas disciplinas diferentes anualmente, de primeiro e segundos ciclos e artigos para escrever, grupos de trabalho com projectos para apresentar, avaliações a que serei submetida...

- Faz de conta que está tudo bem!

Já não preciso de esperança, já só quero o sonho e talvez o esquecimento! Isso ou o 2º prémio do Euromilhões!

29 de outubro de 2010

Paul Auster, Velhos e o IKEA

Vai-me custar escrever este post, mas tem mesmo de ser, se eu não expulsar estas palavras da minha cabeça, vão continuar a assombrar-me de uma forma ainda mais permanente...
Tenho um trabalho, para o bem e para o mal, que tanto me obriga a levantar às 5h30 da manhã e me faz chegar às 22h30 a casa, como me permite utilizar a hora de almoço para fazer um intervalo da investigação caseira a que me dedico, nos dias em que não estou na estrada. Não acredito muito em grandes almoços, cada vez mais o almoço se tornou num momento de pausa, ou um seguimento natural do trabalho para acabar assuntos que, por vezes, ficam por tratar nas infindáveis reuniões.
Gosto de utilizar a hora de almoço para ir às compras, ao supermercado, ao Ikea,à mercearia, à Baixa... Faço-o com a convicção que a maior parte das pessoas está a almoçar e que os que fazem como eu estão ocupados, não andam propriamente a passear entre os enfeites de Natal e as garrafas de Vodka! Muitas das minhas incursões do almoço acontecem no Ikea: uns copos aqui, uns individuais acolá, uns pés para uma mesa ali...
Há cerca de um mês este casal chamou-me a atenção: velhos (não encontro eufemismos para a idade avançada)à hora do almoço, no snack-bar do piso térreo a almoçarem: Ela um galão, ele um galão e um cachorro de 50 cêntimos. Já sabia que o Ikea se tem vindo a tornar numa espécie de cantina da classe média, mas desconhecia esta vertente de dar pão aos mais desfavorecidos. Porém, que nada na minha descrição vos leve a formar um esboço de uns velhos indigentes. Nada disso! Classe média baixa, mas lavados e até articulados... Arquivei o pensamento de que o casal devia ir lá muitas vezes e, claro está (nem vale a pena tentar esconder isto de quem me conhece) da vez seguinte que tive de visitar o Ikea, há duas semanas, passei primeiro pelo snack bar. Estava a velha na fila, enquanto o velho estava sentado, no que hoje sei ser a cadeira do costume, à espera do habitual...Fiz uma coisa à Auster (digo, sem imodéstia, pois quem conhece o autor e as histórias perceberá já a analogia): Pedi comida e sentei-me numa mesa perto deles para os ver melhor... Falavam de dinheiro e presentes: A velha irritou-se com o velho, mas depois acalmou-se... senti vergonha e, pressionada pelo tempo que não tinha para novelas, voltei para casa carregada da vida dos outros e de umas lâmpadas de baixo consumo. Ontem fui comprar uns pés para uma mesa mas, acima de tudo, fui visitar os meus velhos... Cheguei mais tarde do que é costume, já por volta do meio-dia e quarenta e eles lá estavam, na mesma mesa, quase a terminarem. A dado momento o velho abriu a carteira, onde vi um BI vitalício - que este casal, de certeza que não sonha com o cartão de cidadão- e deu 10 Euros à velha... Depois de almoçarem levantaram-se e sentaram-se num dos bancos de jardim que existem em frente à zona das caixas e ali ficaram, a fazer a digestão da magra refeição e a comentarem a vida... Não me sentei com eles pois prefiro imaginar o diálogo, que na minha cabeça se torna infinitamente mais interessante.
Se forem ao Ikea de Alfragide, entre as 12 e as 13 devem estar lá, no seu lugar de sempre... Se eu tivesse tempo, se fosse verdadeiramente uma personagem de um livro de Auster, estaria lá todos os dias e no dia que um deles, ou ambos, falhassem, ficaria mortificada de preocupação. O que me impede de o fazer é apenas o que me impede de apanhar um avião e de me deixar engolir pelo mundo. O que me impede de o fazer é o mesmo motivo que faz o casal sempre voltar... A vida é mais fácil com rotinas!Ficamos fechados na vida e acreditamos que se dermos sempre os mesmos passos, ou se corrermos muito em direcção ao mesmo sítio, distraímos a existência.
Se forem ao Ikea e virem os velhos, lembrem-se que são meus e do Auster, e digam-me como estavam!

5 de março de 2009

Chewing away...

Em tempos de crise, nada melhor que descobrir negócios à prova de falência. Acho que descobri um, à prova disso: As pastilhas elásticas. Não fazem mal, são baratas e ajudam a largar o tabaco, manter o hálito controlado depois da vinha d'alhos, ou do pimentão, a quebrar o gelo em momentos constragedores (quer uma pastilha?) e podem-se comer em qualquer lugar, desde que não seja de boca escancarada, para o vizinho não ter de ouvir o trabalho ruidoso que os maxilares e a saliva são capazes.
Deve ser por isso que cada vez existem mais variedades, sabores e embalagens.
Vivam as Pastilhas que, provavelmente, vão apresentar lucros positivos este ano!

7 de outubro de 2008

Metáforas

Este blogue encontra-se solidário com a banca e só volta a postar quando lhe injectarem capital de energia. Até lá aproveitem a crise nos mercados e alistem-se numa seita terrorista porque para esses está perto o apocalipse do capitalismo!

1 de outubro de 2008

Já cá faltava

Hoje, dia 1 de Outubro, num passeio pelas lojas de bairro, percebi que estavam todos só à espera do mês 10 para começarem a operação Natal! Vi coroas, vi anjos, vi Pais-Natal, vi luzes e outros artefactos que me deixam sempre intrigada e a pensar: "Mas as pessoas não guardam as coisas?"
Outra marca do 1º dia de Outubro é o comentário recorrente: "Isto parece Verão! Nunca mais chega o Outono com as roupas quentes... A roupa de Inverno é tão mais bonita..." O que é engraçado e incongruente é este comentário ser proferido por aqueles que depois sonham (e alguns concretizam) passar o Dezembro nas Caraíbas, ou no Brasil, entre escaldões e Piñas Coladas, esquecendo sumariamente o White Xmas, que assim é promovido a Warm Xmas. Como é que não se aguenta o calor aqui no nosso Portugal temperado e depois se gosta do calor estrangeiro é algo que me intriga (Deve ser por ter sotaque...)
Por isto tudo, este ano não vou pedir um Mini pois já ganhei muita coisa, só te peço Pai Natal que me dês, por favor, um Natal a escaldar no meu país à beira mar, que as promessas do aquecimento global ainda estão por realizar! (olha, rimei!)

12 de setembro de 2008

A pior leitura de sempre

A do meu extracto bancário deste mês!
Venha a maldita tarifa de esgotos, as finanças, os registos prediais e suas certidões, os cartórios, o IMT, venham as escolas e os livros e o material escolar e as propinas e o que vos der na gana, que a mim, como dizem os espanhóis "me da igual".
Só tenho pena que ninguém me tenha avisado que é demente investir no sector imobiliário em pleno mês de Setembro. Já agora, serei eu a ÚNICA desgraçada que ainda não recebeu a devolução miserável das finanças? Voltando a parafrasear a língua castelhana "Me cago en la leche..."

9 de setembro de 2008

As GRANDES mentiras

Das GRANDES, ENORMES, mentiras deste Verão apetece-me destacar:
1. O Aquecimento Global (o mês de Agosto mais quente de que havia memória... para quem o passou numa sauna ou num banho turco, certo? No entanto, o nº de incêndios aumentou em relação ao ano anterior, mas como os media tiveram outros pitéus, pouca gente se apercebeu)
2. O facto da candidata a vice presidente republicana dos EUA, Sarah Palin, ser uma excelente mãe. (aparentemente parir o 5a filho a uma 2a, estar a trabalhar a uma terça e ter especial orgulho em ir casar a filha de 17 anos que lhe vai dar o 1º Neto, é motivo de grande orgulho, como se o "Jesus, Babies and Guns" não fossem por si só, incongruentes que cheguem!).
3. A publicidade enganosa da presença portuguesa nos jogos paraolímpicos. (Deveria ser "Nem mesmo nisto somos bons!").

24 de maio de 2008

Eu já sabia que era importante...



Motor, 2.0 diesel, possibilidade de tracção às 4 rodas...
A Ford acertou: Se eu fosse um SUV seria um KUGA!

21 de maio de 2008

PC (Personal Computer) e PC (Personal Condom)

Era o que me fazia falta, um preservativo pequeno para colocar nas flashdrives, vulgo Pens (não sei porquê, a não ser que seja abreviatura de pénis).
Desde que o meu falecido PC foi para os cuidados intensivos e teve dois AMIs (acidentes de memória interna, em linguagem pouco informática) nunca mais fui a mesma utilizadora: agora, ninguém toca no meu laptop (palavra que também dava para umas boas piadas, mas adiante), até porque aquela reportagem dos teclados estarem pejados de coliformes e serem piores que um tampo de retrete surtiu efeito no meu lado enojado de tudo.
Porém, de vez em quando, é necessário introduzir a dita "pen" de terceiros para partilhar informação, trabalhos, etc. Aí começo discretamente a tremer e a temer pela integridade do top que está no meu lap ou, para ser sincera, em cima da secretária. A pen entra, a pen sai e eu respiro de alívio e venho cá fora fumar um cigarro (ok, não fumo, mas se fumasse, vinha cá fora, pode ser?).
O meu Personal Condom dá pelo nome de McAfee, mas nada me garante que esta coisa com nome escocês me proteja de toda a porcaria que pode estar nas pens mais promíscuas. O que eu queria era um preservativo pequeno para colocar em segurança na saída usb de cada flashdrive. Aí sim, poderia partilhar apresentações power point, ficheiros excel, word, fotos, etc, tudo em segurança. Na informática, como no sexo, a segurança é um bem essencial, daí as semelhanças que existem entre os dois.

21 de abril de 2008

Grandes pequenos momentos

Highlights do par de horas que estive no Jamor a ver um Ucraniano rico que não quer trabalhar :
1. Eu se fosse o Davydenko faria o mesmo. Considerando que o Federer não vai a Monte Carlo e que as suas chances eram melhores e que a coisa estava difícil, nada como entrar no 2º set em cheio, quebrar o serviço e dizer que dói a perna...
2. As pulseiras da senhora sentada atrás de mim a ressoarem qual chocalho nos meus ouvidos delicados e todas as loucuras que ela faria com o Federer (não percebo a razão pois o homem NÃO é giro, ok?). Vinguei-me da forma mais torpe, quando ao fim do 1º set a vi atirar a objectiva para focar o Roger a despir o pólo: Quando estava prestes a disparar, levantei-me e estraguei-lhe a foto com o meu trench de marca!
3º Conheci o Mak que leva enchidos para o jogo, mas são todos pata negra!
4º A frustração de não conhecer a SFF.
Não voltarei ao Jamor tão cedo porque as pessoas, ao vivo, não se podem colocar em off! No entanto, grande primeiro (e único) set!
Se o Cave desistir a meio do concerto de logo começarei a acreditar na teoria da conspiração...

18 de abril de 2008

Ainda o Alerta Laranja

Só agora se fez luz nesta cabeça castanha!
O alerta da protecção civil tinha a ver com a demissão do Menezes e de mais uma crise de liderança no PSD!
Por isso é que a intensidade era maior no Litoral Norte!
Estou oficialmente em alerta beje com todas estas inutilidades!

- Logia Meteo ou Astro?

Levo muito a sério alertas de todas as cores relativos ao mau tempo. Não por obsessão cromática, mas porque me habituei a acordar numa cidade, trabalhar noutra e a ter de me vestir às camadas, por sair com 5 graus, às 5 da manhã, e o termómetro marcar 25 graus ao meio-dia. Por isso, após uma viagem agitada, "aconchegada" por lençóis de água e ventos fortes, ontem à noite levei a sério o aviso da protecção civil que declarava alerta laranja até domingo à noite. Cheguei a casa, tranquei as portas e janelas, dei-me por contente por não ter quintal com chapa ondulada e fiz inúmeros telefonemas a cancelar compromissos e a comprometer-me a fazer E-working em casa que me vai fazer perder mais umas horas do que se o fizesse in loco.
Acordei à espera do dilúvio, da intempérie e da certeza que os mais avisados são os melhor informados. E às 7 da manhã abro a janela para um sol magnífico, acompanhado de uma ligeiríssima brisa... Ok, passado uma hora e meia lá caiu uma chuva forte, mas que não valia um alerta rosa clarinho ou lilás...
Isto da Meteorologia é como os signos, pura adivinhação. Assim sendo declaro que estou em alerta púrpura e amarelo até segunda que ao menos são cores que estão na moda nesta estação!

5 de março de 2008

A Minha Vida Dava um Filme...

...um road movie, claro!

27 de fevereiro de 2008

Quem me dera ser doutora médica...

Ontem, face à evidência que uma das crianças não estava melhor, depois de vários dias de febre, lá me decidi a levá-la ao posto. Claro que às 16h30, já não havia ninguém disponível para ver a criança e aconselham-me uma ida ao Hospital.
Visito pouco os hospitais, graças à saúde de ferro que todos temos aqui em casa, e ao pânico que tenho do contágio.
Chego então à Urgência pediátrica do Francisco Xavier, onde estão 3 crianças e um total de dez adultos, todos acompanhantes das 3 crianças. Sinto-me em inferioridade numérica e antevejo um fim de tarde difícil, pois o pior de tudo não são as crianças, são os adultos impacientes que as acompanham.
Demoro 35 minutos até ser chamada para a sala de triagem porque a urgência é como a Caixa Geral de Depósitos ou o Pingo Doce: Só quando estão quase a fechar a loja é que se começam a despachar e chamar os médicos todos, como pude constatar a partir das 20h30.
Da triagem volto para a sala de espera com uma criança que já não reage a nada, felizmente para ela, pois neste momento já há 7 crianças na sala e vinte e cinco adultos que teimam que as crianças que estão a vomitar para baldes de papel socializem com as que estão com tosse e com os desgraçados que só se magoaram no braço e que agora vão sair dali com mais alguns brindes!
Finalmente o médico - giro, como são todos os do Francisco Xavier, deve ser por isso que é um hospital Modelo - acha estranho a criança já não responder a nada, sobretudo estando sem febre. "SEM FEBRE?!!!" pergunto eu incrédula que estou quente do calor que ela emana... "Sim, aqui diz 36,2". O QUÊ???? Lá volto para a triagem, exigindo uma contraprova, qual brigada anti-doping, ao contrário. Sim, foi engano, a criança tem efectivamente 38,9 e é melhor dar-lhe um remédio. Depois decidem-se por uma análise.
Como eu sei que quem faz análises tem de esperar, pelo menos 1 hora, e a sala de espera estava pior que o cenário do Sweeney Todd (só que em vez de sangue tinha vómitos e muita gente - na maioria com mais de 15 anos), peguei na criança e saí de mansinho. Fui até ao McDrive do Restelo determinada a contrariar o seu jejum quaresmal e a comprar todas as porcarias que lhe apetecessem. Comeu pouco mas ganhou um jogo do Astérix que não jogou, mas que lhe deu a alegria da posse de um brinquedo de um sítio pouco frequentado.
Regresso ao Hospital, 1 hora depois, e entro directa para saber das análises. Nem vou descrever, neste ponto, as urgências, penso para comigo que uma arma ali teria feito milagres, pois mandaria mais de metade das pessoas daquela sala para a urgência mais acima, nem era preciso aleijar muito, só de raspão...
Uma hora mais à espera e decido que já chega. Entro e vou à procura do médico giro. Encontro-o, ele vê as análises e diz-me que o melhor é levar a criança para casa e esperar mais dois dias... (to be continued)

21 de fevereiro de 2008

O Futuro em Tetra Pak

Esta noite sonhei que bebia um Cartuxa Tinto de 2001, por uma palhinha, numa embalagem tetra pak, vagamente parecida com as de Bongo, sabor cola-limão...
Citando o Leonard Cohen: I've seen the future baby, and it's muder!

19 de fevereiro de 2008

Vidas e Blogues

Há vidas que são verdadeiros Blogues Abertos!
Há coisas na vida que são um Blogue Fechado!
Há ocasiões na vida que são como Blogues só para Convidados!